Versos Intimos


 

A torta de chocolate...

 

“Uma torta de chocolate?” – Pensou ele... “Como assim?”... Deixou pra lá a indagação e correu para a doceria... compraria um pedaço de torta... compraria uma torta inteira pra ver se adoçaria a relação...Há um mês esse vai e volta... uma angústia revirada em término... um sentimento preso no peito e uma dor de não controlar mais os eventos... Solicitou o pedaço a balconista, antiga conhecida, com um sorriso impaciente no rosto... – Pra viagem por favor! ... Saiu tão rapidamente do local como seus pensamentos pulavam um contra o outro... “Cinco dias sem falar agora isso?”... “ Por que ela chorava?”... “Será que ela se arrependeu?” ... os pensamentos e as perguntas ficavam no vazio... se apressou a se encaminhar... enquanto esperava a condução enviou uma mensagem de texto no celular “Estou chegando. Comprei a torta.” ... A viagem demorou cinco minutos... entrou ansioso... viu-a deitada... observou suas lágrimas... passou a mão... “Tão linda... não chore...”... contou alguma história... inventou outras... a fez sorrir... elogiou seu sorriso... esperava um começo de noite agradável... pensou em esquecer esse momento ruim da relação... pensou que tudo podia ser novo... ela sorria constantemente... o que a fazia chorar tinha desaparecido... ele se sentia feliz em fazê-la feliz... “Tão bom estar do seu lado...” sussurrou... o rosto deixou de lado as lágrimas... voltara a vida como seus olhos brilhantes... ele pegou a torta...abriu o pacote... ela sorriu novamente, mas agora diferente... Pegou o pacote e com um sorriso em um dos cantos da boca disse:

 

- Muito obrigado, você pode ir embora agora. – Baixou a cabeça como se não houvesse mais ninguém...

 

 



Escrito por Jardson às 02h32
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A Busca

 

Seguiu-se aquele silêncio... ela olhou pro lado e disfarçou uma lágrima...

Tanto tempo correndo atrás... tanto tempo imaginando antes de dormir, inventando uma possibilidade... nada resistira... depois de três meses daquele dia, em que ele pôs fim ao relacionamento, suas amigas a forçaram a estar pronta, te ensinaram a "se abrir"... a permitir... nada resolvera... ela não queria que aquele sonho se desfizesse... o sonho estava lá... passaram cinco, seis meses e essa “abertura” de que tanto falavam não aparecia... se relacionava no vazio... o sexo era triste... o sonho persistia... forçosamente deixou de ter pena de si e entrou em um relacionamento... “amor se cura com outro amor!”... estava disposta a ver a prova... passaram um ano e esse amor não veio... o vazio a consumia... o sonho persistia... ela esperava redenção ainda nos pensamentos antes de dormir... ele reconheceria o erro e voltariam a sonhar juntos... todas as festas, todos os mimos... mesmo assim ela abandonou o relacionamento que não lhe curava... pensou que tinha encontrado a pessoa errada... passou o tempo... namoros curtos... pequenos romances... apareceram prazeres... o sonho incomodava de forma intermitente suas madrugadas... seria a cura? ... passado dois anos o telefone toca... um simples “preciso te falar” faz o sonho reaparecer com toda força... Esperança? Expectativa? Sorte? ... se aprontou... tudo parecia lindo... mas, alguma coisa estava errada... cadê aquela força... os olhos dele brilhavam... a noite tinha sido maravilhosa... estava naquele apartamento que tanto conhecia e que ansiava voltar... ele a despiu como sempre fazia... seus corpos se encontraram com muito desejo e saudade... contudo algo estava errado... chegaram ao êxtase...

Seguiu-se aquele silêncio... ela olhou pro lado e disfarçou uma lágrima...

O sonho tinha acabado...

 

 

 



Escrito por Jardson às 03h35
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Do Sofrimento: Sentimento

 

 

“Eu já pedi pra você ficar longe de mim!”

Aquelas palavras ainda ecoavam na sua cabeça, deixavam-no tonto... Tanto caminhar junto, tanta coisa bela e de repente isso... Não era tão fácil de perceber que aquele sentimento tinha se transformado... que foi levando-o aos poucos para aquele lado da linha que não podia ultrapassar... Era triste, mas era a verdade... foram quinze dias se auto-consumindo para enfrentá-la e dizer o que sentia... corria os riscos... os calafrios... as noites de insônia... mas teve que confessar... não houve qualquer preparação, qualquer contexto que auxiliasse... foi ali mesmo em frente a família dela que ele se expôs de maneira infantil e desesperada... talvez buscasse o erro, ou mesmo a punição por aquele sentir ditador que o impedia de viver como antes...

Tudo passa... mas não passou... a vergonha não passou... a culpa não o deixou... e a repulsa ainda age como espelho...

 



Escrito por Jardson às 02h42
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- Você não Tem coração!!!!

 

Era tão difícil imaginar que uma afirmativa dessa em uma chamada de telemarketing poderia mexer tanto com ele. Havia feito todo o protocolo... tirado as dúvidas... escutado com educação todas as lamuriosas explicações... mas “sem coração?”... e por que isso mexia tanto? Tentou Refletir o mais rápido possível, pois só tinha 2 minutos de intervalo... “Sem coração”... buscou as ações, remexeu o passado.. Há quanto tempo não reparava se seu coração ainda estava lá? Qual tinha sido seu último relacionamento? Último ato de bondade desinteressada? Visita a familiares? Presentes sem data aparente? Ligar pra alguém somente pra bater papo, pra dar atenção? Desejar dar um bom dia pra alguém? Responder como estava a vida sem o “tudo bom” de sempre? Assistir um filme e chorar? Se apaixonar?... Respirou um pouco... não tinha respostas para as próprias perguntas... onde estava o próprio coração? Desconectara-se do mundo? ...”Meu Deus” era desesperador!!!! ... começou a chorar... precisava de mais minutos e correu para o sanitário... Chorar não já prova o coração? Hesitou... as lágrima não... Tinha perdido o coração e precisava reencontrá-lo... voltou para a estação... ligou para o número anterior...

 

- Pois não? – A voz atendeu.

 

- A senhora tem razão. Não tenho coração. Obrigado!

 

02/05/10

00:21hs

Jardson Fragoso Carvalho



Escrito por Jardson às 00h25
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O choro

 

O choro sou eu,

Chora eu ação

Chorar do passado presente

Do presente que leva ao passado

Chorar por chorar

Chora eu você e D. Maria,


Chora seco, agudo e as lágrimas

Chora sozinho acompanhado

Aberto aperto chora

Lágimas escuras e claras

Chora e chora,

Chora por chorar o choro

O choro por não parar de chorar...

Apenas chora...


Chora essa catarse...

Chora esse agir...

E age chorando....


Jardson Fragoso

00:59

19/02/2010




Escrito por Jardson às 13h52
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À aparição taciturna na noite

 

Foi um por um dia...

Eu não mais te vi...

Não mais te achei...

Tão ruim perder a si...


Desvendei-me em um pensamento

Restaurei a rota da dor

E como jarro novo

Desfiz as amarras que me tiravam o amor...


Mas de tudo o que foi...

Eu acabei indo...

E na noite que vai como um breu

Um antigo amor na poesia eu findo.


24/08/2009

Jardson Fragoso

01:05hs




Escrito por Jardson às 22h50
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O HOMEM NU

 

 



A noite seguia talvez indiferente... não era triste porque os amores de antes não batiam na lembrança... não era alegre porque as preocupações cotidianas o permitiam grudar-se ao chão... era noite... e apenas noite... um ajeitado de cama um olhar na janela e lá está... atônito agora enquanto alegria e tristeza da noite não chegava...lá está... o homem nu... vagando melindrosamente e corredio na rua pela noite...suplicando o olhar nas raras janelas abertas... a noite deixara de ser qualquer coisa pra ser questão... era centro da cidade... e a rua por sorte, mesmo tarde, estava vazia... ele continuava na janela a observar esta questão, no meio da noite interrogativa, suplicando uma bermuda velha... era um disparate... um acaso...um absurdo... nem mesmo Nelson Rodrigues seria capaz de encenar a interrogativa questão dentro da questão – Você tem uma bermuda velha pra me arranjar? - antes de questionar e de ser o ato questionador daquela noite e naquela única e excepcional janela aberta se esperava a resposta e não uma questão... - Não tenho! - a resposta irreflexiva foi um repúdio a dúvida intempestiva que iria perdurar pela falta de expressividade da situação questão... O homem nu seguia... e o ato de questionar e retirar as proposições causais formadas através da janela e de uma noite que deixara de ser qualquer coisa pra ser dúvida, fugira de preposição... deixou de ser causa e efeito e se tornou simplesmente um homem nu vagando na cidade...

 

 

 



Escrito por Jardson às 20h36
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ILHANAUS OU ILHEU E MARELA

Uma ilha navegando
No mar que de suor está salgado
Que de sangue está turvado
E de rancor está agitado

Um mar agitando
Em uma ilha que de amor está deserta
Que de vazio está repleta
E sem sentido anda dispersa

No encontro do que balança e o que é inerte
A pedra que habita a ilha acha-se criança
E não há nada que a desperte

Jardson Fragoso
03/01/2005
09:59



Escrito por Jardson às 23h26
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À SENHORA DO MEU CORAÇÃO

 

Alguém sabe onde mora?

Onde vive e o que faz?

Por que ela tira minha paz?

Pela idade chamo-te de Senhora.

 

Em que átrio fica?

Por que é tão forte?

Sempre me lembra a morte

E o meu corpo se mortifica!

 

Ela é intensa e voraz.

Está próxima do amor e do prazer

Muitos que a têm não sabem o que fazer.

Em mim ela coordena e o meu corpo faz.

 

Eterna (?) e intensa submissão

Do meu ser. Tentativa de mudança.

Todos que tentaram caíram na dança.

Quem a enfrenta acaba no chão.

 

Entretanto, a vida surge junto a ela

E o brilho das coisas é mais denso.

Desse ângulo penso que és bela

Para que impere no crepitar do meu senso.

Pena... esperança já não tenho

De viver comumente como normal.

Através dela tenho o que é real

Mesmo que seja pelo sôfrego cenho.

 

Possui a inconstância do mar

Que ciclicamente minha mente entorna.

Fazendo a tristeza que agora retorna

Minha face doer e meia lágrima jorrar.

 

De todas é quem tenho mais gosto,

Faz mais forte meu sangue pulsar!

Mata-me lentamente tirando meu ar!

Ninguém a sufoca, nem seu oposto.

 

Todos nascem com ela e a desprezam.

Muitos morrem por causa dela,

Sendo a razão da grande vela

Que decora o funeral dos que rezam.

 

Essa senhora com certeza não é o amor

Que muitos vêm a enganar!

Com ela não se pode lutar!

Pois ela é a essência - É a DOR!

 

 

Jardson Fragoso



Escrito por Jardson às 23h25
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IRREFLEXO

 

O poeta pensa...

Pensa que pensar não é suficiente

O lápis se apresenta

O dedo o prontifica

O papel submisso se anseia...

 

O branco refletido na iris

Não demonstra qualquer sensação

O vazio, o nada, o vão

As mãos trêmulas agora suplica

 

Na espera levantes sucessivos do carbono,

Angústia inesperada dos dedos e a

Aflição exorbitante de quem quer ser preenchido

 

O poeta levanta o rosto

O espelho na sua frente está vazio

No impulso, desespero, a mente ria

Os elementos que sentiam estão mortos

O poeta agora é o nada sem poesia

 

Jardson Fragoso

01/11/2004

21:35h



Escrito por Jardson às 23h23
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os desconhecidos

Uma coletânea de minicontos que se interligam ou um romance que se forma em seus fragmentos. As personagens que percorrem o mundo em solilóquios e de repente se esbarram em alguém ou entra em contato social de alguma forma com um outro. Forma-se assim uma rede de desconhecidos que mantém vínculos no encontro cotidiano, ordinário, momentâneo. O leitor, como se acompanhasse uma prova de revezamento, é levado pelas curvas dos desconhecidos. De fulano para beltrano, de beltrano para ciclano e tal...


Jardson Fragoso
Ramon Alcântara


Escrito por Jardson às 10h19
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A ESPERA

 

- “Eu penso que desta vez você está indo embora!” – o som no fone de ouvido o levou para um tempo distante... Naquela sala apertada, a TV ligada... algumas senhoras começavam uma discussão acerca de uma cena da novela... A música foi embalando e o cansaço o fez viajar num sonho do passado... um pequeno sorriso e o corpo foi se ajeitando... – “eu estarei lá por você!” a música antiga embala em seu refrão e com isso uma sensação gostosa de poder curtir um pensamento livre... De repente um toque em sua perna o acordou, olhou para o lado, uma das senhoras que estava conversando olhou para ele e continuou a falar... sorriu educadamente e se encostou... “Você não me salvará novamente!”... a música continuava e ele tentava mergulhar na sensação de outrora... –“A culpa é das mulheres”... “Estas cinco palavras eu digo a você!”... o som da sala começava a aumentar e a voz da senhora agora competia com a linda canção... Os toques na perna aumentavam como se chamassem pra conversa... outros sorrisos educados... –“O povo rouba ou pede ajuda ao governo”... “Eu roubaria o sol do céu por você!”... um novo toque, um novo sorriso, mas agora a senhora já não falava... gritava...-“Por isso que eu sou contra a igreja”... O olhar agora fixo no jovem suplicava uma resposta... “Eu estarei lá por você!” ... agora com um fone só todas esperam uma resposta... o som do fone está acabando... ele tenta pegar o solo de guitarra no final... começa a suar... um silencio constrangedor espera a resposta... –“Senhor Jardson? Pode entrar”... Ele suspira feliz e diz por fim com mais um sorriso educado – Pois é...  A conversa continua mais alta do lado de fora.


Jardson Fragoso



Escrito por Jardson às 16h57
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MATERNAL

 

Passou-se mais um dia de sofrimento, Marcelo não aguentava mais o sofrimento... Era mais uma vez que entrava na porta e encontrava sua mãe ensanguentada... Dessa vez tinha sido uma queda pequena, contudo aquele corpo de 92 anos não suportaria tanto. Há mais de três anos ele sabia da doença degenerativa... evoluiu muito rápido... sem preparo e sem condições, Marcelo já havia largado um dos seus empregos para cuidar da sua mãe... a receita caía... os problemas aumentavam... Três anos e a vida social tinha decaído... Outras pessoas para cuidar destruíam o orçamento que era apertado... Filho único, único dever...Colocou seu amor em cima dos cuidados e sacrificava-se a todo momento para dar o alento a quem o tinha criado... Obviamente o peso da responsabilidade crescia a cada momento... a cada dor, a cada queda, a cada esquecimento... Seu nome e identidade já haviam sumido... a luta de a cada dia ter que usar de métodos agressivos para garantir à sua mãe alimentação e cuidados básicos o consumia dia após dia... mudou seu horário de trabalho – agora estava à noite – e este fato provocou-lhe mais um crime... como devia deixá-la sozinha... usava medicamentos sedativos e trancava a porta... isso o desesperava... noite após noite, mais lágrimas transfiguradas em sorrisos para fins de trabalho... a cada manhã um susto... os remédios não possuíam mais efeitos e nem controle... aumentou a dosagem... Percebeu que a cada aumento da dose sentia um prazer estranho... três anos... isolamento, tristeza, dor, raiva...raiva... ele tinha raiva dessa condição, mas estava preso... sentia-se como um criminoso, mas não assumia nem pra si mesmo... era sua mãe, sua vida... mas quando chegava do trabalho e subia lentamente o elevador até o oitavo andar... um misto de medo e esperança forçava-o a imaginar a morte de sua mãe... Era tanta dor – sua lágrima dizia... Era tanto amor – seu peito angustiado dizia... Mas Marcelo continuava sofrendo, continuava culpando-se, continuava dopando, continuava desejando... Mais um dedo cortado... mais um escorregão... mais uma entrada na emergência... Marcelo já não vivia... não sentia sua própria respiração... não sentia que vivia... era um autômato... um braço, uma consciência da própria mãe que nunca estaria dentro dela novamente... passava os dias a cuidá-la, o pouco tempo que ela ficava quieta conseguia assistir um pouco de TV, era seu único momento social... divagava para a mãe na hora do almoço coisas que ela nunca entenderia... não se olhava no espelho e nem se deixava envaidecer... a barba crescia...o cabelo crescia...a esperança sumia... Foi então que no dia de sol, que o perturbou na cama as 6hs da manhã do dia de folga, o espírito se achou diferente... não era a tristeza comum que lhe dava bom dia não conseguia reconhecê-la... e como por impulso, ou como carregado levantou-se e abriu as janelas e a varanda, o que não fazia há muito tempo... entrou no banheiro e fez a barba, tomou um banho, preparou seu café e sentou-se na sala em frente a varanda... espírito estranho, voz estranha, nem consigo conversava... percebeu sua mãe balbuciar algumas palavras enquanto caminhava pela sala... baixou a cabeça... sentiu uma dor e uma raiva nos olhos... sentiu o amor pular em seu peito... faltou-lhe ar... a mãe seguiu para a varanda... o ar sumiu... o coração pulou... a mão tremeu e a lágrima caiu com um som diferente...

 



Escrito por Jardson às 20h41
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Fugir sem pernas



Sou preso... que solidão, desespero!

Abdico da liberdade, desespero!

Perco todo o saber, desespero!

Fujo da luz, desespero!



Ignoro-me para salvar-me?

Como poderia transpor-me?

Como poderia assombrar-me?

Como poderia matar-me?



A dormência de mim se apoderou

A dor que controlei me superou

O corpo, o limiar alcançou

Amar? Quem... me amou?



O que era corpo não move.

O que era paixão não move.

O que era desejo não move.

O poeta agora morre!



Escrito por Jardson às 01h09
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LEMBRANÇAS DE UM ESQUECER


Passa mais uma noite e se passa a vida

A dor da certeza interditada

Palavras de palavras de textos mortos

Tentam reviver para logo serem assassinados


Uma dor, eu já disse, uma dor


O não, a negação, o rompimento

Tiros em promessas de um amor esfaqueado

Resistiu a tudo, morreu de fome


Surpresa da destruição de um caminho esperado

Desvios, curvas e esquivas

A indiferença, o isolamento, a defesa


Pulsação de um corpo indeciso

Febre de um coração desnorteado

Lágrimas de um olho esperançoso


As passadas linhas e os novos contos

O velho caderno e o mais novo ponto

Uma valsa descompassada

De uma estrofe sem rima


A vida segue e a noite continua


Uma dor, eu já disse, uma dor


Um amor de promessa no plastico de bombom

A construção de um caminho no copo de vinho

A entrega, a mentira, o amor e o rancor


Tudo se mistura, tudo é pensamento

O que foi dos corpos juntos de almas separadas

O que foi das almas juntas de vidas devassadas

Tudo se inclui, tudo se dilui


Agora é lembrança e desapego

Do mínimo esforço se refaz o respeito

Mas o amor nós esquecemos

Refazemos nossa escolha de esquecer


Uma dor, eu já disse, uma dor...


Que continua a ser amor


Jardson Fragoso

11/03/2009

02:48hs



Escrito por Jardson às 02h58
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