Versos Intimos


 

O HOMEM NU

 

 



A noite seguia talvez indiferente... não era triste porque os amores de antes não batiam na lembrança... não era alegre porque as preocupações cotidianas o permitiam grudar-se ao chão... era noite... e apenas noite... um ajeitado de cama um olhar na janela e lá está... atônito agora enquanto alegria e tristeza da noite não chegava...lá está... o homem nu... vagando melindrosamente e corredio na rua pela noite...suplicando o olhar nas raras janelas abertas... a noite deixara de ser qualquer coisa pra ser questão... era centro da cidade... e a rua por sorte, mesmo tarde, estava vazia... ele continuava na janela a observar esta questão, no meio da noite interrogativa, suplicando uma bermuda velha... era um disparate... um acaso...um absurdo... nem mesmo Nelson Rodrigues seria capaz de encenar a interrogativa questão dentro da questão – Você tem uma bermuda velha pra me arranjar? - antes de questionar e de ser o ato questionador daquela noite e naquela única e excepcional janela aberta se esperava a resposta e não uma questão... - Não tenho! - a resposta irreflexiva foi um repúdio a dúvida intempestiva que iria perdurar pela falta de expressividade da situação questão... O homem nu seguia... e o ato de questionar e retirar as proposições causais formadas através da janela e de uma noite que deixara de ser qualquer coisa pra ser dúvida, fugira de preposição... deixou de ser causa e efeito e se tornou simplesmente um homem nu vagando na cidade...

 

 

 



Escrito por Jardson às 20h36
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ILHANAUS OU ILHEU E MARELA

Uma ilha navegando
No mar que de suor está salgado
Que de sangue está turvado
E de rancor está agitado

Um mar agitando
Em uma ilha que de amor está deserta
Que de vazio está repleta
E sem sentido anda dispersa

No encontro do que balança e o que é inerte
A pedra que habita a ilha acha-se criança
E não há nada que a desperte

Jardson Fragoso
03/01/2005
09:59



Escrito por Jardson às 23h26
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À SENHORA DO MEU CORAÇÃO

 

Alguém sabe onde mora?

Onde vive e o que faz?

Por que ela tira minha paz?

Pela idade chamo-te de Senhora.

 

Em que átrio fica?

Por que é tão forte?

Sempre me lembra a morte

E o meu corpo se mortifica!

 

Ela é intensa e voraz.

Está próxima do amor e do prazer

Muitos que a têm não sabem o que fazer.

Em mim ela coordena e o meu corpo faz.

 

Eterna (?) e intensa submissão

Do meu ser. Tentativa de mudança.

Todos que tentaram caíram na dança.

Quem a enfrenta acaba no chão.

 

Entretanto, a vida surge junto a ela

E o brilho das coisas é mais denso.

Desse ângulo penso que és bela

Para que impere no crepitar do meu senso.

Pena... esperança já não tenho

De viver comumente como normal.

Através dela tenho o que é real

Mesmo que seja pelo sôfrego cenho.

 

Possui a inconstância do mar

Que ciclicamente minha mente entorna.

Fazendo a tristeza que agora retorna

Minha face doer e meia lágrima jorrar.

 

De todas é quem tenho mais gosto,

Faz mais forte meu sangue pulsar!

Mata-me lentamente tirando meu ar!

Ninguém a sufoca, nem seu oposto.

 

Todos nascem com ela e a desprezam.

Muitos morrem por causa dela,

Sendo a razão da grande vela

Que decora o funeral dos que rezam.

 

Essa senhora com certeza não é o amor

Que muitos vêm a enganar!

Com ela não se pode lutar!

Pois ela é a essência - É a DOR!

 

 

Jardson Fragoso



Escrito por Jardson às 23h25
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IRREFLEXO

 

O poeta pensa...

Pensa que pensar não é suficiente

O lápis se apresenta

O dedo o prontifica

O papel submisso se anseia...

 

O branco refletido na iris

Não demonstra qualquer sensação

O vazio, o nada, o vão

As mãos trêmulas agora suplica

 

Na espera levantes sucessivos do carbono,

Angústia inesperada dos dedos e a

Aflição exorbitante de quem quer ser preenchido

 

O poeta levanta o rosto

O espelho na sua frente está vazio

No impulso, desespero, a mente ria

Os elementos que sentiam estão mortos

O poeta agora é o nada sem poesia

 

Jardson Fragoso

01/11/2004

21:35h



Escrito por Jardson às 23h23
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